Olho do Dueça
| Distrito | Coimbra |
|---|---|
| Concelho | Penela |
| Freguesia | União das freguesias de São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal |
| Maciço | Condeixa-Sicó-Alvaiázere |
| Origem das coordenadas | OSM |
| Verificação coordenadas | Não verificada |
| Cavidade artificial | Não |
Descrição
"O Olho do Dueça é a principal surgência do sistema e constitui o seu nível de base, condicionando toda a sua evolução “recente”. A génese e morfologia das galerias é fortemente condicionada por grandes fracturas de orientação genérica E-W, onde a secção pode atingir vários metros de diâmetro e fracturas N-S, onde a secção se reduz fortemente. A cavidade inicia-se pelo poço vertical (com 7 m de profundidade) que dá acesso à galeria artificial com o comprimento de 20 m. No final desta, entra-se então na galeria natural que se desenvolve na direcção aproximada SW. Percorridos cerca de 50 m desde o fundo do poço de entrada, e sempre a subir, encontra-se uma primeira sala com as dimensões de 3 x 4 m. A partir daqui, a gruta desenvolve-se sempre a cotas muito próximas da superfície, intercalando zonas com circulação em sifão e outras em galeria (ou salas) com escoamento livre; nestas verificam-se situações de depósitos de areia, mais ou menos extensos, e caos de blocos em diferentes estádios de erosão. Principalmente nas galerias com blocos é notória a presença de uma camada de argila siltosa clara e muito fina. Algumas das galerias percorridas são nada mais que caixas de falha, de onde foram retirados, pelo rio, os materiais de prenchimento. No entanto a continuação da sua exploração encontra-se dificultada pela presença de efluentes domésticos e industriais, provenientes da povoação de Taliscas e das instalações industriais instaladas a montante da surgência." (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)
História
"A primeira exploração remonta à década de 60, na sequência de uma desobstrução da entrada levada a cabo pelos serviços da Hidráulica do Mondego, para estudo de captação e regularização do caudal. Este facto foi durante anos por nós desconhecido. Podia-se constatar que a nascente tinha sido objecto de obras, com impermeabilização da zona adjacente, execução de um poço em betão e levantamento de uma represa e canais, que atribuímos a necessidades relacionadas com a rega dos terrenos contíguos. Na década de 80, João Neves (SAGA) efectuou um mergulho no poço tendo verificado a existência de uma galeria a cerca de 3 m de profundidade, aberta em caos de blocos e escorada com madeira já podre e com abatimentos que impossibilitavam a progressão. A água tinha visibilidade reduzida e o fundo do poço encontrava-se entulhado de blocos e vegetação até uma profundidade de 5,5 m. Julgando a nascente não penetrável, foi abandonada a esperança de por aí aceder ao sistema. Tentativas posteriores de investigar melhor as condições de penetrabilidade revelaram-se igualmente frustrantes. Só em 2002 viemos a saber, por feliz coincidência, em conversa com um habitante local que participara nos trabalhos de desobstrução, que o sistema tinha na época sido explorado em cerca de 600 m, distância que não pode ser confirmada. Fomos ainda informados que no final da década de 90 o fundo do poço tinha sido limpo, pondo a descoberto a galeria artificial de acesso à gruta. De imediato fizemos preparativos para relançar a exploração e em 2003, assim que os caudais e a visibilidade o permitiram, efectuaram-se uma série de mergulhos, por João Neves (SAGA) e Manuel Soares (CIES), que levaram à exploração e topografia de cerca de 300 m de galerias." (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)
Relatórios de atividade
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