← Catálogo de Cavidades
Cavidade #2080

Olho do Dueça

Distrito Coimbra
Concelho Penela
Freguesia União das freguesias de São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal
Maciço Condeixa-Sicó-Alvaiázere
Origem das coordenadas OSM
Verificação coordenadas Não verificada
Cavidade artificial Não

Descrição

"O Olho do Dueça é a principal surgência do sistema e constitui o seu nível de base, condicionando toda a sua evolução “recente”. A génese e morfologia das galerias é fortemente condicionada por grandes fracturas de orientação genérica E-W, onde a secção pode atingir vários metros de diâmetro e fracturas N-S, onde a secção se reduz fortemente. A cavidade inicia-se pelo poço vertical (com 7 m de profundidade) que dá acesso à galeria artificial com o comprimento de 20 m. No final desta, entra-se então na galeria natural que se desenvolve na direcção aproximada SW. Percorridos cerca de 50 m desde o fundo do poço de entrada, e sempre a subir, encontra-se uma primeira sala com as dimensões de 3 x 4 m. A partir daqui, a gruta desenvolve-se sempre a cotas muito próximas da superfície, intercalando zonas com circulação em sifão e outras em galeria (ou salas) com escoamento livre; nestas verificam-se situações de depósitos de areia, mais ou menos extensos, e caos de blocos em diferentes estádios de erosão. Principalmente nas galerias com blocos é notória a presença de uma camada de argila siltosa clara e muito fina. Algumas das galerias percorridas são nada mais que caixas de falha, de onde foram retirados, pelo rio, os materiais de prenchimento. No entanto a continuação da sua exploração encontra-se dificultada pela presença de efluentes domésticos e industriais, provenientes da povoação de Taliscas e das instalações industriais instaladas a montante da surgência." (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)

História

"A primeira exploração remonta à década de 60, na sequência de uma desobstrução da entrada levada a cabo pelos serviços da Hidráulica do Mondego, para estudo de captação e regularização do caudal. Este facto foi durante anos por nós desconhecido. Podia-se constatar que a nascente tinha sido objecto de obras, com impermeabilização da zona adjacente, execução de um poço em betão e levantamento de uma represa e canais, que atribuímos a necessidades relacionadas com a rega dos terrenos contíguos. Na década de 80, João Neves (SAGA) efectuou um mergulho no poço tendo verificado a existência de uma galeria a cerca de 3 m de profundidade, aberta em caos de blocos e escorada com madeira já podre e com abatimentos que impossibilitavam a progressão. A água tinha visibilidade reduzida e o fundo do poço encontrava-se entulhado de blocos e vegetação até uma profundidade de 5,5 m. Julgando a nascente não penetrável, foi abandonada a esperança de por aí aceder ao sistema. Tentativas posteriores de investigar melhor as condições de penetrabilidade revelaram-se igualmente frustrantes. Só em 2002 viemos a saber, por feliz coincidência, em conversa com um habitante local que participara nos trabalhos de desobstrução, que o sistema tinha na época sido explorado em cerca de 600 m, distância que não pode ser confirmada. Fomos ainda informados que no final da década de 90 o fundo do poço tinha sido limpo, pondo a descoberto a galeria artificial de acesso à gruta. De imediato fizemos preparativos para relançar a exploração e em 2003, assim que os caudais e a visibilidade o permitiram, efectuaram-se uma série de mergulhos, por João Neves (SAGA) e Manuel Soares (CIES), que levaram à exploração e topografia de cerca de 300 m de galerias." (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)

Relatórios de atividade

Nenhum relatório registado.

Bibliografia relacionada

Dueça Speleological Cave System
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha (2005)
Ver publicação
O Sistema Espeleológico do Dueça
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha (2005)
Ver publicação
EXPEDITION SPELEOLOGIQUE AU PORTUGAL
CLPA (1985)
Ver publicação
Espeleo Divulgação 6
NEUA
Ver publicação
O Sistema Espeleológico do Dueça
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha
Ver publicação