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Cavidade #2082

Gruta do Algarinho

Distrito Coimbra
Concelho Penela
Freguesia União das freguesias de São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal
Maciço Condeixa-Sicó-Alvaiázere
Desenvolvimento 3D (m) 2296
Origem das coordenadas OSM
Verificação coordenadas Imprecisa
Cavidade artificial Não

Descrição

"Actualmente a Gruta do Algarinho possui 2296 m de galerias topografadas, sendo o seu desenvolvimento total estimado em cerca de 2500 m. Desenvolve-se de Este para Oeste, estando a sua entrada situada a cerca de 250 m da do Soprador do Carvalho, e o actual terminus a cerca de 650 m do final do Sumidouro da Várzea.
A gruta do Algarinho representa um elemento chave para a compreensão da circulação dentro do sistema. As dimensões das suas galerias não estão de acordo com a sua actual actividade hídrica como nascente, pois o caudal que emite é reduzido mesmo após períodos de forte pluviosidade. Isto põe em evidência a importância que esta cavidade teve em épocas passadas, tendo possivelmente sido a principal resurgência do sistema. Com o rebaixamento do nível de base da ribeira do Dueça, a galeria principal desenvolveu várias perdas numa extensão de 500 m, na zona actualmente mais distante da entrada. Estas perdas foram desviando cada vez mais do caudal para o Olho do Dueça, que foi ganhando importância com o progressivo afundamento do vale por erosão. A montante desta zona ter-se-há dado a certa altura uma perda quase total, que capta agora a maior parte desse caudal.
A profundidade estimada e as características do seu sifão terminal apontam para uma passagem a condutas forçadas e, talvez, a proximidade de uma galeria (a perda) que faça a ligação directa do Sumidouro da Várzea ao Olho do Dueça (ver Fig.1). As galerias do Algarinho decalcam perfeitamente a rede de fracturação local, apresentando troços rectilíneos e zonas retocadas em meandro. O pendor das galerias segue com frequência a fraca inclinação das camadas. O concrecionamento é diminuto apesar da grande extensão de galerias em regime de circulação livre ou subaérea." (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)

História

"A Gruta do Algarinho é uma resurgência assinalada em 1993 pelo grupo GAEP. Estava nessa altura obstruída por blocos de onde, em épocas de forte pluviosidade, brotava bastante água. Em Abril de 1998, o colectivo de espeleólogos SAGA, CIES, GPS e STEA, com o auxílio de uma retro-escavadora, realizou a desobstrução da entrada desta cavidade. Após 4 horas de remoção de pedras e blocos surgiu uma pequena entrada da qual soprava uma corrente de ar que prometia um desenvolvimento considerável. A progressão na gruta revelou-se relativamente fácil, tendo os espeleólogos penetrado cerca de 1200 metros na cavidade. Nesta primeira exploração foram identificadas, muito próximo da entrada, duas construções humanas que numa primeira análise vieram a revelar-se pertencer ao período préromano. No fim-de-semana seguinte o colectivo ganha um novo membro, o NEC, que ao entrar na gruta do Algarinho não pode progredir para além do Sifão das Areias, a 200 m da entrada, por este se encontrar sifonado, devido às chuvas que caíram nessa semana. Nos meses seguintes e após a descida do nível das águas neste sifão, realizaram-se inúmeras saídas de exploração e topografia na cavidade, permitindo ultrapassar os 1200m até então conhecidos, colocando o terminus da cavidade num novo sifão. O nível das águas foi sucessivamente verificado neste sifão, até que ao fim de 2 meses, uma equipa de espeleólogos do NEC o ultrapassa, realizando a consequente exploração até se deparar com um novo sifão que ainda hoje se denomina Sifão Terminal do Algarinho. Este sifão foi alvo de duas tentativas de mergulho, uma de Ricardo Rodrigo (STEA) e outra de Jesus Manteca (G.E. GORFOLI – Espanha), ambos sem sucesso por este sifão ser de exploração difícil e perigosa, devido ao seu fundo arenoso. Durante o mês de Setembro de 1999, uma equipa de arqueólogos efectuou uma sondagem às construções humanas encontradas na Gruta, não tendo sido possível chegar a nenhuma conclusão em relação à origem destas. Em Maio de 2001 o espeleólogo Hugo Mendes do GPS descobre uma Lança de Alvado Longo, em Bronze, com cerca de 2900 anos, numa zona da gruta a cerca de 50 metros da entrada. Esta descoberta revelou-se de extrema importância para a cavidade, pois veio lançar a discussão sobre uma possível ligação ao Castro do Castelo do Sobral, situado nas imediações. A presença da lança, juntamente com as construções humanas sugere que esta cavidade possa ter servido de túmulo a um chefe da tribo do castro. A confirmar-se esta teoria, estamos perante uma Gruta-Túmulo, selada após o enterro deste, tornando-a única no panorama espeleológico e arqueológico de Portugal. Já em 2002 foi descoberta uma nova galeria fóssil perto do terminus da cavidade que aparenta ser um algar obstruído, do qual provém uma grande corrente de ar, e que é provavelmente a entrada de maior fluxo de ar da cavidade.
Apesar do nível das águas no sifão terminal do Algarinho ter oscilado vários metros, até ao presente momento esse nível não desceu o suficiente para que esta barreira possa ser ultrapassada. A continuação da exploração para lá do sifão está dependente da descoberta de uma passagem para além deste. Há ainda a salientar a descoberta de betume asfáltico, presente na água e nas paredes da cavidade ao longo de 600 m. A implantação da Gruta do Algarinho sobre a fotografia aérea mostra a proximidade da cavidade a uma pedreira situada na base do Monte de Vez, sendo esta provavelmente a origem deste foco de poluição." (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)

Topografias

Topografia #518 CIES, GPS, NEC, SAGA

Relatórios de atividade

Nenhum relatório registado.

Bibliografia relacionada

Dueça Speleological Cave System
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha (2005)
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O Sistema Espeleológico do Dueça
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha (2005)
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Espeleo Divulgação 6
NEUA
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O Sistema Espeleológico do Dueça
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha
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