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Cavidade #2123

Algar do Obrigado

Distrito Santarém
Concelho Alcanena
Freguesia Moitas Venda
Maciço MCE
Cota (m) 369
Origem das coordenadas Afonso Rodrigues
Dispositivo GPS Lidar
Verificação coordenadas Verificada
Autorização Não requer autorização
Cavidade artificial Não

Acesso

Cabeço de Santa Marta. De Casais Robustos, sobe-se pelo trilho que parte em direção ao cabeço, eventualmente cortando à direita num caminho marcado com fitas brancas, até ao lapiás.

Descrição

A gruta parece tratar-se de uma galeria freática muito inclinada que segue uma junta de estratificação. Entra-se por uma diaclase estreita, descendo até um bloco em forma de cunha que interrompe o poço e causa outro estreitamento. Superando-o, desce-se o resto do primeiro vertical. Este emboca numa rampa de origem freática, escavada por longos "mäanderkarren" formados já em fase vadosa, pela escorrência. A superficie da rocha está toda muito alterada, além de ter bastantes depósitos secundários. A meio da rampa há uma cúpula de ótima dimensão. No fundo há dois grande abatimentos suspensos, passando-se debaixo deles, por uma pequena rampa. O término é uma galeria descendente prenchida por caos de blocos. À direita da galeria, há uma série de pequenas salas e espaços interligados.

História

Tratava-se de um poço de cerca quatro metros com fundo obstruído por blocos, donde emanava uma corrente fresca.

Prospeção - Afonso 2025-10-27
Desobstrução entrada - Afonso e Tiago 2026-04-02
Equipagem e croqui - Afonso e Chouriço 2026-07-18
Desobstrução fundo - Afonso, Matteo e Sofia 2026-08-23

Equipagem

A via está posicionada uns cinco metros ao lado da descida direta, de modo a não passar pelos patamares mais perigosos e instáveis.

1 AN descida
Protetor
1 AN descida (à volta do bloco entalado)
1 AN desviador
2 PB descida
1 AN desviador
(pêndulo)
1 PB subida
2 PB corrimão
1 PB descida
1 PB descida
1 PB descida
1 PB corrimão
1 AN descida

Notas

Exploração decorrente.

Relatórios de atividade

  • 2026-08-27 — Afonso Rodrigues, Filipe Alves, Madalena, Matteo
    Viemos equipar os corrimões para explorar as partes laterais. Devido à febre crescente, resignei-me a observar o trabalho dos outros. Todos os pontos que se viram parecem fechar... deixámos o corrimão que o Matteo fez equipado (penúltima ancoragem é um PB grande que permite depois equipar descida; última ancoragem é PB pequeno apenas para topografar subida), uma plaquete do outro lado, e um garrafão no fundo. Aproveitei para marcar os blocos mais perigosos com fita colorida.
  • 2026-08-23 — Afonso Rodrigues, Luís Meira, Tó, Dora, Matteo, Sofia
    Desobstrução do fundo, com sucesso. O Tó aplicou alguns fulminantes na entrada para a alargar. No fundo, começámos por estabilizar o bloco grande que segura a rampa toda. Passámos várias horas a tirar blocos pesados com contrapesos, até que apareceu um vazio. Voltámos ao carro para buscar mais corda, passámos, e descobrimos uma sala de média dimensão. A corrente de ar ascende de uma passagem em rampa, também obstruída com muita lama e blocos cimentados. Escavação trabalhosa, mas possível. Ficámos com lama até às orelhas só de ir lá investigar… saímos, completamente exaustos, com os bloqueadores a escorregar a cada passo. As cordas ficaram cheias de lama só da nossa passagem. Ali o melhor será evitar levar arnês e material para o fundo, e talvez até levar um segundo fato para colocar depois da escavação. Desce-se o ressalto usando nós na corda, e trabalha-se lá em baixo sem ferros.
    Horário: 10:30 – 23:30
  • 2026-07-18 — Afonso Rodrigues, José Ribeiro
    Saída de equipagem. Posicionámos a via de modo a que não passe pelos patamares mais perigosos, uns cinco metros ao lado da descida direta. Limpou-se um bom bocado de massa instável, mas ainda há bastante, portanto é inevitável jumar com "pés de lã". Na galeria do fundo, notava-se claramente uma corrente de ar a permear o caos de blocos; mexendo algumas pedras, apareceu um buraco com ar fresco... a gruta continua. Será uma desobstrução muito trabalhosa.
    Tal como das últimas vezes, o algar tinha um cheiro muito forte a fénico, embora não tenhamos encontrado nenhuma carcaça.
    Horário: 10:30 – 16:40
    Fauna: 4 Araneae, 100 Tiploidea, 5000 Diptera
    Temp. exterior: 22.4 °C
    Hum. exterior: 69.6 %
    Temp. interior: 15.6 °C
    Hum. interior: 96.1 %
    Distância medição: 90 m
    Profundidade medição: 60 m
    Diâmetro medição: 0.5 m
    Nota de medição: fundo
  • 2026-04-09 — Afonso Rodrigues
    Trouxe uma 100 para ir ver o fundo. Fiz uma equipagem mínima com os poucos naturais existentes e desci a longa rampa com muito cuidado. A corda roçava na própria rampa e ia soltando pedras leves, que voavam à minha volta. Avaliei os blocos grande suspensos acima do fundo, e descobri, com deceção, o fim. Depois de um bocado a esmiuçar possíveis continuações, subi cuidadosamente e desmontei tudo.
    Horário: 20:00 – 23:00
  • 2026-04-02 — Afonso Rodrigues, Tiago Monteiro
    Arrancámos de Lisboa pelas 10, estacionámos pelas 13, e levámos sete horas a abrir o algar. Eu no buraco a encher os baldes, e ele a puxá-los. Estava sol mas a brisa aliviava o calor. Quando apareciam blocos maiores subiam-se com fitas - comigo debaixo deles, desde que fossem de tamanho razoável. Subir e descer da gruta cada vez que ele içava uma pedra dava demasiado trabalho, então aceitei o risco, confiando na boa colocação das fitas e nos braços do Tiago. Quando lhe chegavam às mãos e ele os afastava do meu zénite, agradecia-lhe e ríamo-nos de alívio. Os vazios foram aparecendo entre as pedras do patamar, e, à medida que o dia aquecia, sentia a corrente de ar a subir, cada vez mais forte. A última parte foi autêntico mikado e, inesperadamente, pisei um bloco grande que resvalou e se precipitou pelo poço. Caiu bem fundo. Passei duas fitas à volta do último bloco, uma cunha massiva e impossível de remover, e desci. Passada uma dezena de metros, o poço abre-se num salão, formando uma longa rampa com fundo escuro. Chegando ao fim da corda, subi; encontrei o meu colega à espera, abrigando-se da ventania nas escassas paredes que rodeiam a entrada.