Algar do Obrigado
| Distrito | Santarém |
|---|---|
| Concelho | Alcanena |
| Freguesia | Moitas Venda |
| Maciço | MCE |
| Cota (m) | 369 |
| Origem das coordenadas | Afonso Rodrigues |
| Dispositivo GPS | Lidar |
| Verificação coordenadas | Verificada |
| Autorização | Não requer autorização |
| Cavidade artificial | Não |
Acesso
Cabeço de Santa Marta. De Casais Robustos, sobe-se pelo trilho que parte em direção ao cabeço, eventualmente cortando à direita num caminho marcado com fitas brancas, até ao lapiás.
Descrição
A gruta parece tratar-se de uma galeria freática muito inclinada que segue uma junta de estratificação. Entra-se por uma diaclase estreita, descendo até um bloco em forma de cunha que interrompe o poço e causa outro estreitamento. Superando-o, desce-se o resto do primeiro vertical. Este emboca numa rampa de origem freática, escavada por longos "mäanderkarren" formados já em fase vadosa, pela escorrência. A superficie da rocha está toda muito alterada, além de ter bastantes depósitos secundários. A meio da rampa há uma cúpula de ótima dimensão. No fundo há dois grande abatimentos suspensos, passando-se debaixo deles, por uma pequena rampa. O término é uma galeria descendente prenchida por caos de blocos. À direita da galeria, há uma série de pequenas salas e espaços interligados.
História
Tratava-se de um poço de cerca quatro metros com fundo obstruído por blocos, donde emanava uma corrente fresca.
Prospeção - Afonso 2025-10-27
Desobstrução entrada - Afonso e Tiago 2026-04-02
Equipagem e croqui - Afonso e Chouriço 2026-07-18
Desobstrução fundo - Afonso, Matteo e Sofia 2026-08-23
Equipagem
A via está posicionada uns cinco metros ao lado da descida direta, de modo a não passar pelos patamares mais perigosos e instáveis.
1 AN descida
Protetor
1 AN descida (à volta do bloco entalado)
1 AN desviador
2 PB descida
1 AN desviador
(pêndulo)
1 PB subida
2 PB corrimão
1 PB descida
1 PB descida
1 PB descida
1 PB corrimão
1 AN descida
Notas
Exploração decorrente.
Relatórios de atividade
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2026-08-27 — Afonso Rodrigues, Filipe Alves, Madalena, MatteoViemos equipar os corrimões para explorar as partes laterais. Devido à febre crescente, resignei-me a observar o trabalho dos outros. Todos os pontos que se viram parecem fechar... deixámos o corrimão que o Matteo fez equipado (penúltima ancoragem é um PB grande que permite depois equipar descida; última ancoragem é PB pequeno apenas para topografar subida), uma plaquete do outro lado, e um garrafão no fundo. Aproveitei para marcar os blocos mais perigosos com fita colorida.
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2026-08-23 — Afonso Rodrigues, Luís Meira, Tó, Dora, Matteo, SofiaDesobstrução do fundo, com sucesso. O Tó aplicou alguns fulminantes na entrada para a alargar. No fundo, começámos por estabilizar o bloco grande que segura a rampa toda. Passámos várias horas a tirar blocos pesados com contrapesos, até que apareceu um vazio. Voltámos ao carro para buscar mais corda, passámos, e descobrimos uma sala de média dimensão. A corrente de ar ascende de uma passagem em rampa, também obstruída com muita lama e blocos cimentados. Escavação trabalhosa, mas possível. Ficámos com lama até às orelhas só de ir lá investigar… saímos, completamente exaustos, com os bloqueadores a escorregar a cada passo. As cordas ficaram cheias de lama só da nossa passagem. Ali o melhor será evitar levar arnês e material para o fundo, e talvez até levar um segundo fato para colocar depois da escavação. Desce-se o ressalto usando nós na corda, e trabalha-se lá em baixo sem ferros.
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2026-07-18 — Afonso Rodrigues, José RibeiroSaída de equipagem. Posicionámos a via de modo a que não passe pelos patamares mais perigosos, uns cinco metros ao lado da descida direta. Limpou-se um bom bocado de massa instável, mas ainda há bastante, portanto é inevitável jumar com "pés de lã". Na galeria do fundo, notava-se claramente uma corrente de ar a permear o caos de blocos; mexendo algumas pedras, apareceu um buraco com ar fresco... a gruta continua. Será uma desobstrução muito trabalhosa.
Tal como das últimas vezes, o algar tinha um cheiro muito forte a fénico, embora não tenhamos encontrado nenhuma carcaça. -
2026-04-09 — Afonso RodriguesTrouxe uma 100 para ir ver o fundo. Fiz uma equipagem mínima com os poucos naturais existentes e desci a longa rampa com muito cuidado. A corda roçava na própria rampa e ia soltando pedras leves, que voavam à minha volta. Avaliei os blocos grande suspensos acima do fundo, e descobri, com deceção, o fim. Depois de um bocado a esmiuçar possíveis continuações, subi cuidadosamente e desmontei tudo.
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2026-04-02 — Afonso Rodrigues, Tiago MonteiroArrancámos de Lisboa pelas 10, estacionámos pelas 13, e levámos sete horas a abrir o algar. Eu no buraco a encher os baldes, e ele a puxá-los. Estava sol mas a brisa aliviava o calor. Quando apareciam blocos maiores subiam-se com fitas - comigo debaixo deles, desde que fossem de tamanho razoável. Subir e descer da gruta cada vez que ele içava uma pedra dava demasiado trabalho, então aceitei o risco, confiando na boa colocação das fitas e nos braços do Tiago. Quando lhe chegavam às mãos e ele os afastava do meu zénite, agradecia-lhe e ríamo-nos de alívio. Os vazios foram aparecendo entre as pedras do patamar, e, à medida que o dia aquecia, sentia a corrente de ar a subir, cada vez mais forte. A última parte foi autêntico mikado e, inesperadamente, pisei um bloco grande que resvalou e se precipitou pelo poço. Caiu bem fundo. Passei duas fitas à volta do último bloco, uma cunha massiva e impossível de remover, e desci. Passada uma dezena de metros, o poço abre-se num salão, formando uma longa rampa com fundo escuro. Chegando ao fim da corda, subi; encontrei o meu colega à espera, abrigando-se da ventania nas escassas paredes que rodeiam a entrada.