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Cavidade #218

Soprador do Carvalho

Sinonímia: Gruta Talismã

Distrito Coimbra
Concelho Penela
Freguesia União das freguesias de São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal
Maciço Condeixa-Sicó-Alvaiázere
Cota (m) 209
Desenvolvimento 3D (m) 4500
Origem das coordenadas Afonso Rodrigues
Dispositivo GPS iPhone 13 Pro
Verificação coordenadas Verificada
Cavidade artificial Não

Acesso

Ferrarias, junto à margem da ribeira, havendo uma ponte e caminho de acesso à edificação que protege a entrada, fechada com cadeado.

Descrição

"Situado na orla Este do sistema, o Soprador do Carvalho desenvolve-se de Sul para Norte, ao longo de fracturas com a mesma orientação genérica, paralelamente ao bordo do afloramento calcário, acompanhando o vale onde corre a Ribeira Sabugueira. Esta ribeira, onde mais a jusante vamos encontrar a surgência principal do sistema, e que lhe muda o nome para Rio Dueça, é alimentada principalmente por águas provenientes do Maciço Hespérico, constituído por xistos e quartzitos. O contacto da ribeira com os terrenos sedimentares do maciço calcário originou perdas (sumidouros) da mesma, tendo-se a circulação subterrânea instalado na fracturação existente, dando origem ao essencial das galerias do Soprador do Carvalho. A flutuação de nível e desvios do leito da ribeira ao longo do tempo, fruto da erosão, e sucessivos períodos de entupimento e desentupimento das perdas, fez com que as zonas de perda se deslocassem ora para montante ora para jusante, escavando a cada fase novas galerias e por vezes invertendo o sentido da circulação nestas. Assim, ao longo da margem esquerda do vale podem ser identificadas múltiplas zonas de infiltração, tanto fósseis como activas, que funcionaram alternadamente como perdas e resurgências. Actualmente, a principal zona de perda da Ribeira Sabugueira é parcial, e está situada junto da ponte onde a IC3 atravessa a mesma. Esta perda é responsável pelo grande caudal que ocorre na ribeira subterrânea do Soprador do Carvalho durante o Inverno. Porém esta não é a sua única alimentação. Durante a época de Verão, mesmo após forte estiagem e quando a Ribeira Sabugueira se encontra seca, o caudal é reduzido mas perene no sifão mais a montante até agora explorado, não se tendo ainda encontrado explicação para tal (alimentação freática profunda?).
A zona de perdas, ou de entrada de alimentação exterior, não se encontra ainda totalmente explorada. Ela prolonga-se ainda certamente por mais de um quilómetro para lá do ponto mais a montante até agora atingido. Constituída por um misto de galerias paragenéticas, por vezes de vários metros de altura, e sifões em conduta forçada de dimensões mais reduzidas, entrecortadas de algumas salas de abatimento e fracturas com rejeição, pondo em contacto diferentes litologias, esta é a zona mais labiríntica da gruta.
É nesta zona que se situa o Algar do Carvalhal, uma antiga entrada (localizada com a ajuda do sistema SLOTER) que poderá ter funcionado tanto como perda ou como resurgência. Muito dissimulada e obstruída por blocos de grandes dimensões cimentados por calcite, foi aberta em 2001 pelo colectivo acima referido, após vários meses de árduas sessões de desobstrução. Esta foi cronologicamente a segunda entrada da gruta a ser aberta e teve por intenção permitir o acesso à sua parte final em qualquer altura do ano, já que sensivelmente a meio da cavidade existe um laminador de 200 m de extensão, que se converte num sifão devido à subida do nível das águas do rio no Outono/Inverno, condicionando o acesso ao resto da gruta.
Para jusante, a gruta prossegue em galeria única com 3 a 4 m de diâmetro, em regime de escoamento livre em estiagem, durante cerca de 1000 m quase em linha recta. Neste ponto a ribeira subterrânea abandona a grande galeria, e segue, em perda, uma galeria de menor secção. Esta pequena galeria foi já explorada em cerca de 150 m e é entrecortada de pequenos sifões, tomando a direcção da nascente do Dueça. A continuação da sua exploração encontra-se comprometida por chegada de efluentes domésticos da povoação de Taliscas. A grande galeria prossegue, constituindo o antigo jusante, ainda activo em período de grandes caudais, e a sua exploração está ainda em curso. A perda de importância em termos hídricos desta galeria permitiu a sua oclusão com sedimentos, tornando a sua exploração difícil. É a jusante da disjunção destas galerias que se encontra a primeira entrada, que foi aberta em 1993 pelo GAEP, o Soprador do Carvalho, que deu a designação à gruta. Relativamente pobre em formações de calcite, devido à sua ainda grande actividade hídrica, a gruta apresenta pontualmente zonas fósseis de grande profusão e beleza de espeleotemas. Algumas destas zonas podem ficar comprometidas pela divulgação nas “visitas turísticas” de que a gruta é presentemente objecto. Algumas zonas foram já vandalizadas e algumas concreções quebradas e retiradas, sendo urgente encontrar uma solução que previna este tipo de comportamento. Actualmente com 2800 m topografados e 4500 m estimados, a gruta assume-se como a mais extensa do Maciço de Sicó e uma das maiores de Portugal." (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)

História

"A Gruta do Soprador do Carvalho, também conhecida por Gruta Talismã, foi descoberta em 1992 pelo Grupo de Arqueologia e Espeleologia de Pombal (GAEP) após a indicação do Sr. António Dias, um habitante da aldeia de Taliscas. De uma pequena fenda no calcário soprava uma forte corrente de ar, indiciando a ligação a uma grande cavidade. Vários dias de desobstrução abriram um poço de 4 m de profundidade, conduzindo ao interior da cavidade e a um rio subterrâneo com características únicas, sendo provavelmente o maior curso de água subterrâneo que se pode percorrer sem auxílio de técnicas de mergulho, em Portugal. A exploração da gruta continuou pela mão do GAEP, que estimou o seu desenvolvimento em cerca de 4000 m (...) os espeleólogos do CIES, GPS, NEC e SAGA decidem em 1999 unir esforços num colectivo para retomar os trabalhos de exploração e topografia do Soprador do Carvalho, tendo em meia dúzia de incursões desobstruído novas galerias e realizado mais de 2000 m de topografia.
Atraída entretanto, por um muito especulado “potencial turístico” da gruta, a Câmara Municipal de Penela adquire em 1999 os terrenos onde se encontra a entrada e começa a realizar visitas turísticas à gruta. Mas mais grave, impede o acesso da comunidade espeleológica à mesma, comprometendo assim a continuação do seu estudo, situação essa que se mantém actualmente. Ainda hoje se desconhece a verdadeira extensão da Gruta do Soprador do Carvalho (...) (transcrito de João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha)

Topografias

Topografia #519 CIES, GPS, NEC, SAGA

Relatórios de atividade

  • 2025-07-19 — Afonso Rodrigues, Márcia Marques, Bruno Simões, Filipe Alves, Dayara Jesus, (...)
    Veio-se fotografar. Houve um mergulho no sifão terminal e fui com a Di e o Alves explorar algumas das galerias fósseis.
    Horário: 11:40 – 17:00
    Fauna: sem observações
    Temp. exterior: 23.5 °C
    Hum. exterior: 59.2 %
    Temp. interior: 17.0 °C
    Hum. interior: 95.7 %
    Distância medição: 200 m
    Diâmetro medição: 1.0 m
    Nota de medição: junto do sifão terminal

Bibliografia relacionada

Talismã 2010. Sistematizzazione di un rilievo speleologico.
Iurilli et al (2010)
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Dueça Speleological Cave System
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha (2005)
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O Sistema Espeleológico do Dueça
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha (2005)
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PORTUGAL 1997
Christian Thomas (1997)
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Gruta descoberta em Penela poderá ser a maior de Portugal
Graça Barbosa Ribeiro (1994)
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Espeleo Divulgação 6
NEUA
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O Sistema Espeleológico do Dueça
João Neves, Manuel Soares, Miguel Pessoa, Sérgio Medeiros, Lúcio Cunha
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