← Catálogo de Cavidades
Cavidade #653

Algar do Bom Santo I

Distrito Lisboa
Concelho Alenquer
Freguesia União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres
Maciço Montejunto
Cota (m) 367
Origem das coordenadas AESDA
Verificação coordenadas Não verificada

Acesso

Quinta do Bom Santo

História

"Em Junho do ano de 1993, no decurso de uma actividade da AESDA na Serra de Montejunto, foi trazida à luz do conhecimento uma gruta na região no Casal do Bom Santo, Concelho de Alenquer, que se revelou de inestimável importância para a Ciência devido ao imenso e significativo espólio arqueológico nela contido. A descoberta foi de imediato comunicada ao IPPAR que já efectuou uma proficiente campanha arqueológica, sob a coordenação do Arqueólogo José Morais Arnaud do IPPAR e da Antropóloga Cidália Duarte da Universidade de Alberta, Canadá. Da equipe constam ainda três técnicos de arqueologia associados da AESDA, nomeadamente: Emanuel Carvalho, Teresa Julião e Rui Mergulho. A intervenção teve início em Julho de 1994 e efectuou-se ao longo de 5 meses. Dadas as dimensões da estação, apenas uma pequena parte foi escavada e os resultados são já substanciais. Foram recolhidos inúmeros artefactos e peças ósseas cujo estudo irá destrinçar muitos dos segredos adamíticos da caverna. O estudo Geológico e o levantamento topográfico ficaram à responsabilidade da Associação que também prestou apoio logístico, assim como a Direcção Geral de Florestas que cedeu as instalações, a Esquadra nº 11 da Força Aérea Portuguesa, a Câmara Municipal de Alenquer e a firma Torrespeças. Segundo os responsáveis pelos trabalhos, a necrópole do Algar do Bom Santo, assim designado em alusão ao local onde se encontra, é caso inédito em Portugal devido não só à fabulosa quantidade de espólio que contém, mas também por se encontrar em excelente estado de conservação. Os ossos estão invulgarmente bem preservados e toda a estação manteve-se intacta ao longo de milhares de anos. O facto que mais terá contribuído para o bom estado da estação, é a existência de um volumoso bloco calcário que bloqueava a entrada, certamente colocado pelos próprios utilizadores, evitando a entrada de outros homens ou grandes animais. Existem inclusive marcas originais de pés nus no solo de uma das salas, facto insólito a singularizar esse túmulo natural. A importância da necrópole eleva-se ao nível mundial, sendo a maior, no género, que se conhece na Europa. Por este motivo, já recebeu a visita de diversas entidades distintas da Arqueologia nacional e internacional e contou com a colaboração voluntária de estudantes estrangeiros vindos propositadamente para o efeito. Ao longo da gruta, diversas ossadas de adultos e crianças encontram-se depositadas juntamente com múltiplos artefactos em pedra, osso, concha e cerâmica, onde se incluem instrumentos de trabalho e adornos, que permitem localizar cronologicamente a necrópole, tendo sido atribuída ao Neolítico final e distando aproximadamente 5000 anos da actualidade. Outro aspecto que vem valorizar o Algar do Bom Santo, é as suas dimensões. Sendo a mais extensa gruta da Serra de Montejunto, com mais de 12 salas, ainda não se deu por concluída a exploração. O desenvolvimento semi-vertical do sistema e a notável rede de comunicações entre as salas conferem à gruta uma estrutura quase labiríntica. As pesquisas da AESDA na Serra de Montejunto estão a tornar-se cada vez mais promissoras e os resultados estão-se a fazer notar. Com apenas 2 anos de existência e apesar das dificuldades que se verificam nas diversas questões relacionadas com a obtenção de apoios, a Associação mostra já um balanço positivo no que diz respeito aos resultados das actividades. O Algar do Bom Santo demonstra precisamente о bom curso dos trabalhos associativos, surgindo como resultado das muitas horas de pesquisa е estudo, quer de campo quer em sede, sobre o maciço calcário de Montejunto e sobre a vasta е aliciante matéria espeleológica na sua globalidade." (transcrito de Trogle 1, AESDA)

Notas

A coordenada não foi publicada intencionalmente, devido ao valor arqueológico. Para aceder à mesma, contactar.

Relatórios de atividade

Nenhum relatório registado.

Bibliografia relacionada

Trogle 6
AESDA (2014)
Ver publicação
Trogle 1
AESDA (1995)
Ver publicação
Coordenadas não disponíveis.