← Catálogo de Cavidades
Cavidade #90

Algar da Figueira

Sinonímia: Algar da Figueira das Velhas

Distrito Santarém
Concelho Alcanena
Freguesia Moitas Venda
Maciço MCE
Cota (m) 241
Desenvolvimento 3D (m) 235
Desnível total (m) 29
Desnível positivo (m) 0
Desnível negativo (m) 29
Origem das coordenadas Afonso Rodrigues
Dispositivo GPS Lidar
Verificação coordenadas Verificada
Cavidade artificial Não

Acesso

Moitas Vendas, sendo o acesso feito por um caminho de pé posto que sobe a vertente a partir da estrada.

Descrição

"A gruta tem 3 poços que permitem a entrada, sendo o acesso geralmente feito apenas por dois deles, marcados na topografia como P15 e P20. Os poços dão acesso a uma sala de dimensões consideráveis, a sala Grande, com vestígios de grandes abatimentos, a partir da qual se tem acesso a uma zona da gruta que conserva ainda alguma da morfologia original, a zona SE.
O algar da Figueira desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Margas e Calcários Margosos do Zambujal datada do Aaleniano Inferior a Bajociano Inferior (Jurássico Médio).
O controlo estrutural do desenvolvimento está disfarçado pelos abatimentos que ocorreram na gruta, sobretudo na zona da sala Grande. A zona SE tem troços que apresentam um controlo estrutural por fracturas de atitude aproximada N40W/Vertical e N50E/Vertical. Dois dos poços que dão acesso à gruta (P25 e P15) são controlados por fraturas da família N50E/Vertical e o terceiro (P20) por uma fractura N40W/Vertical. Os poços aparentam ter sido formados de baixo para cima devido à água ascendente. A gruta tem um desenvolvimento grosseiro NW-SE, próximo da atitude das camadas N50W/30S (valores medidos no exterior e interior da gruta), o que poderá indicar um controlo da gruta pela direcção das camadas, o que se sabe acontecer em troços das grutas freáticas da região, como as grutas da Contenda e do Mindinho.
Em relação aos sedimentos, o cortejo litoquímico é impressionante. Abundam colunas, estalagmites, estalactites, alguns de grandeza de ordem métrica, e espessuras que chegam a ser superiores a um metro, mantos estalagmíticos, “flowstone” e cortinas. Os sedimentos detríticos são compostos por balastros provenientes dos abatimentos e que existem em maior abundância na sala Grande, alguma areia muito fina, que parece provir da alteração dos calcários e argila. A argila existe em maior abundância numa pequena galeria, situada na zona mais a Este da gruta, chegando a preencher nichos ao longo das superfícies de estratificação dos estratos calcários, indicando que o nível de argila já teve espessuras maiores e que poderá ter colmatado parte desta galeria.
Como nota refira-se ainda a presença abundante de ossos de animais, certamente vítimas de quedas nos poços e de guano.
A gruta tem origem freática como é comprovado pela presença de vagas de erosão e aspecto arredondado das paredes. Quando a gruta se encontrava na zona freática e zona vadosa activa, segundo a definição de Bogli, 1980 a água deveria circular das zonas mais profundas da gruta, zona SE e eventualmente da extremidade Oeste para os poços, cujas bocas funcionava como surgências. Esta gruta testemunha assim uma antiga nascente, e um antigo nível de água que rondava a cota dos 220-230 metros.
Já Crispim, 1995, referia que esta gruta era uma antiga nascente associada à falha da Costa de Minde e a antigos níveis de circulação situados à cota 200 metros. Segundo este autor, as entradas mais elevadas podem ser considerados como nascentes de extravasamento, sendo a cota da exsurgência próxima de altitudes que frequentemente se encontram no Vale da Serra. O mesmo autor refere ainda que as grandes dimensões da cavidade se devem às condições particularmente favoráveis devido ao contacto com as fáceis margosas intercaladas longitudinalmente no Oxfordiano (cujas camadas afloram nas proximidades da gruta) e a proximidade do cavalgamento do Arrife.
Como foi acima referido a gruta tem origem freática, sendo uma exurgência fóssil, que testemunha um antigo nível de circulação ligeiramente acima da cota dos 200 metros. A gruta formou-se na zona freática, tendo posteriormente, por descida do nível de base ou por movimentações tectónicas passado para a zona vadosa semi-activa e finalmente para a zona vadosa inactiva. O processo não terá sido tão directo, uma vez que a argila que preenche nichos elevados na pequena galeria no estremo Este da gruta indica que a circulação freática poderá ter abandonado a gruta, ou pelo menos os níveis mais baixos, permitindo o preenchimento da galeria com sedimentos, para mais tarde com a descida do nível de base erodir o depósito de argila. O nível da água, no próximo polge de Minde, chega a ultrapassar actualmente durante as alturas de maior pluviosidade, por alguns metros, a cota 200, o que com um nível de base um pouco mais alto poderia explicar com facilidade sucessivos episódios de abandono/reactivação da circulação na gruta." (transcrito de Paulo Rodrigues, 2015)

Topografias

Topografia #61 GEM
Topografia #62 GEM

Relatórios de atividade

  • 2024-09-12 — Afonso Rodrigues, Tiago Monteiro, (...)
    Montaram-se duas vias na entrada melhor para descer e depois “resgatar” os amigos.
  • 2023-11-12 — Afonso Rodrigues, Filipe Castro, (...)
    Saída de curso. Entrámos pelo poço do meio, é o mais fácil. Muitas ossadas inquietantes de cães, e duas coleiras. Treinámos topografia, enquanto a multidão que estava dentro da gruta foi subindo.